O reverso da medalha da votação do segundo vice-presidente do parlamento

Por: Lassana Cassama

As contas podem ser bem justificadas, ou não, mas é preciso começar a “observar atentivamente” os deputados que fazem parte da “coligação”, ou seja, congregados no acordo de incidência parlamentar entre o PAIGC, APU-PDGB, União para Mudança (UM) e o Partido Nova Democracia (PND).
Considerando os números de votação, independentemente da ausência de um ou outro, a “ala” MADEM-G15 e PRS, unidos por um acordo de incidência, também, parlamentar, perderam apenas 1 voto, que supostamente será o de Soares Sambú, que esteve ausente na sessão, pois o Braima Camará teve 47, quando deveria ser 48. Nesta aritmética, 47+50 = 97, registaram-se 3 abstenções, perfazendo 100 votantes no total.
E, justamente, sobre estas abstenções, enquanto centro de reflexão surge a questão sobre o porquê e donde vieram tais “nha boca ka sta lá”? (Qual partido ou grupo parlamentar)?
Partindo desta avaliação aritmética, será possível ressaltar que, provavelmente, estas abstenções, vieram do PAIGC ou dos seus aliados, porquanto da outra parte, não há como negar, permanecendo no campo das suposições, mantiveram a linha de defesa, votando no Braima Camará para o cargo do segundo vice-presidente do parlamento com 47 votos a favor. Ou seja, admitindo que as três abstenções tivessem votado contra o Braima Camará, o cômputo a favor do bloco do PAIGC, seria 53, mais 1, este último, que seria o deputado que não votou, já que na sala estavam 101 parlamentares. Se estes três deputados que se abstiveram votassem a favor, teríamos então 50 para os interesses do MADEM-G15 e do PRS, ainda que unidos pelo acordo politico pós-eleitoral.
Apesar de ser um mero exercício de aritmética, sugerindo a prossecução de uma análise pertinente, é possivel antecipar a necessária conclusão e deduzir que as três abstenções, estariam ligadas ao bloco da aliança parlamentar PAIGC, APU-PDGB, UM e PND.
Esta conjectura deve, desde logo, servir de profunda e recomendável reflexão para a liderança de Domingos Simões Pereira, evitando assim, o cenário de 23 de Dezembro de 2015, quando 15 deputados “traíram” os princípios do partido, ao reprovar o Programa de Carlos Correia, com a mesma táctica de abstenção.
Neste caso a preocupação não deve ser circunscrita apenas ao PAIGC, mas extensiva aos seus aliados, porquanto o MADEM-G15, o PRS e seus fortes aliados, mantêm a dinâmica de fragilizar o acordo do PAIGC, dando assim ao Presidente da Republica, José Mário Vaz, alegadas razões para avançar com o seu hipotético plano de inviabilizar o Governo do PAIGC, apesar de ser o legítimo vencedor das ultimas eleições legislativas.
Um cenário que deve ser levado em conta, após dissecado discurso de Domingos Simões Pereira, no plenário inaugural do parlamento, quando disse: “na nossa realidade muitos insistem em produzir fantasmas para perpetuar a indefinição e, por via disso, criar aproveitamentos políticos, mesmo contrariando os interesses de toda a nação”, e acrescentou profeticamente que “interpretarão a lei no sentido de confundir a opinião pública, com um propósito ainda mais grave: o de poder, no futuro, comprometer a acção de quem foi escolhido, armadilhas no rendilhado normativo para qualquer momento subverter a expressão do povo”.
Não pode haver ambiguidades na interpretação, à letra, sobre a limpidez do discurso do Presidente do PAIGC e, por conseguinte, do perigo que ainda paira, perante os homens que não se desarmam dos seus ferrenhos intentos. Na linha da intervenção do DSP, existem energias residuais, mesmo que sejam fracas, para obstruir a constituição, ou o exercício de um futuro Governo, através de uma força que, citando ainda, Simões Pereira, desenvolve “tentativas de instrumentalização de seguimento da sociedade, por antecipação, para exercerem oposição a um governo que nem se conhece”.
Assim, feitas as contas, diríamos que há muitas contas, do mesmo rosário, ainda por contar.

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